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  • Exercício físico é ótimo para o cérebro, mas exercício ao ar livre pode ser ainda melhor 

    O artigo intitulado “ Exercising is good for the brain but exercising outside is potentially better” ( link abaixo) investiga como o exercício agudo e o ambiente externo afetam o controle da atenção. O objetivo do estudo é compreender a interação entre o exercício e o ambiente na cognição. 

    A introdução do artigo destaca a importância do exercício físico e da exposição à natureza na função cognitiva. Além disso, os pesquisadores questionam como o exercício e o ambiente interagem para influenciar a cognição. Eles sugerem que o ambiente pode desempenhar um papel muito importante no aumento da função cognitiva. 

    O estudo foi realizado em dois locais, um em ambiente interno e outro em ambiente externo. Os participantes caminharam por 15 minutos em cada local. O Eletroencefalograma (EEG) foi utilizado para medir a função cognitiva antes e depois das caminhadas. Cada participante da pesquisa completou as caminhadas internas e externas. 

    Os autores descobriram que uma caminhada de 15 minutos ao ar livre melhorou o desempenho e aumentou a amplitude do EEG, em especial, eventos neurais comumente associada à atenção e à memória de trabalho. No entanto, esse resultado não foi observado após uma caminhada de 15 minutos no interior. Os resultados sugerem que o tipo de ambiente pode desempenhar um papel significativo no aumento da função cognitiva.   

    Os autores destacam a importância de entender como o exercício e o ambiente interagem para influenciar a cognição, especialmente no contexto de urbanização e estilos de vida sedentários. Os pesquisadores sugerem que as descobertas do estudo podem ter implicações importantes na concepção de intervenções para melhorar a função cognitiva. 

    As descobertas do estudo são consistentes com pesquisas anteriores que mostraram os benefícios da exposição à natureza na função cognitiva. O uso do EEG para medir a função cognitiva é importante, pois fornece uma medida mais objetiva da função cognitiva do que utilizar apenas medidas de autorrelato. No entanto, o estudo tem algumas limitações, como o pequeno tamanho da amostra e o uso de uma única medida da função cognitiva que limitam a generalização dos resultados.  

    Referência: 

    Boere, K., Lloyd, K., Binsted, G., & Krigolson, O. E. (2023). Exercising is good for the brain but exercising outside is potentially better. Scientific Reports, 13(1), 1140.  

    https://www.nature.com/articles/s41598-022-26093-2?s=03

  • Estudo investiga relação entre características demográficas, funções executivas e memória em pacientes com Parkinson tratados com Deep Brain Stimulation

    Foto por MART PRODUCTION em Pexels.com

    Estudo investiga a associação entre características demográficas, funções executivas e memória em pacientes com doença de Parkinson, com e sem Deep Brain Stimulation (DBS). A DBS é uma técnica cirúrgica que utiliza a implantação de eletrodos em áreas específicas do cérebro para ajudar no tratamento de doenças neurológicas, como a doença de Parkinson, tremores essenciais, distonia e transtorno obsessivo-compulsivo. Os eletrodos são conectados a um gerador de impulsos, semelhante a um marca-passo cardíaco, que é implantado sob a pele no peito do paciente. O gerador envia impulsos elétricos aos eletrodos, que estimulam as áreas do cérebro responsáveis pelos sintomas da doença, ajudando a controlá-los. A DBS é uma opção de tratamento para pacientes que não respondem mais aos medicamentos ou que apresentam efeitos colaterais graves. No entanto, é uma técnica invasiva que envolve riscos e é realizada apenas em casos selecionados e por equipes especializadas. 

    O estudo, publicado na Aging and Health Research contou com a participação de 76 pacientes, divididos em três grupos: 30 pessoas saudáveis (grupo controle), 30 diagnosticadas com DP tratadas apenas com medicamentos (grupo medicamentoso) e 16 com DP tratada com DBS (grupo DBS). Para avaliar as funções executivas e a memória, foram utilizados vários instrumentos, como a Avaliação Cognitiva de Montreal (MoCA), Rey Auditory Verbal Learning Test, Trail Making Test A and B, Digits Span e Stroop Test. 

    Os resultados revelaram que o desempenho da memória e das funções executivas estava associado a características demográficas apenas em pacientes tratados com DBS. A análise de regressão exploratória identificou uma associação significativa entre idade, escolaridade e atividade de vida diária e o desempenho das funções executivas e da memória somente no grupo DBS. Embora o estudo tenha encontrado diferenças significativas entre os grupos de controle, medicamentos e DBS, é importante considerar o desequilíbrio de gênero nos grupos avaliados como uma limitação. 

    A DP é comumente tratada com intervenções farmacológicas, como a reposição de levodopa. No entanto, quando o tratamento medicamentoso não é mais suficiente, alternativas, como a DBS, podem ser utilizadas. Embora a DBS tenha demonstrado muitos benefícios motores, como redução das flutuações motoras e das discinesias, os declínios cognitivos são um possível efeito colateral. 

    Estudos anteriores já relataram a influência da DBS nas funções executivas e na memória em pacientes com DP. Alguns pesquisadores defendem que o declínio na fluência verbal se deve às micro lesões resultantes da cirurgia de implantação e que a diminuição é temporária. No entanto, mais investigações são necessárias para entender a influência de variáveis individuais no desempenho cognitivo em pacientes com DBS. 

    Em resumo, este estudo teve como objetivo identificar a associação entre características demográficas, funções executivas e desempenho da memória em pacientes com DP com e sem DBS. Os resultados sugerem que a idade, escolaridade e atividades da vida diária estão relacionadas ao desempenho cognitivo apenas em pacientes com DBS. 

    Referência: 

    Arten, Thayná LS, and Amer C. Hamdan. “Executive functions and memory in Parkinson’s disease patients with Deep Brain Stimulation.” Aging and Health Research 2.1 (2022): 100065. 

    Link para o artigo: 

    https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2667032122000129

  • Estudo evidencia que crenças positivas sobre a idade podem influenciar a recuperação cognitiva em idosos com comprometimento leve

    Este estudo investiga o papel das crenças positivas sobre a idade na recuperação do comprometimento cognitivo leve (CCL) entre idosos. O estudo descobriu que indivíduos com CCL que têm crenças positivas sobre a idade têm maior probabilidade de experimentar recuperação cognitiva e o fazem mais cedo do que aqueles com crenças negativas sobre a idade. O estudo destaca a importância de promover crenças positivas sobre a idade em idosos para potencialmente melhorar os resultados cognitivos.

    O estudo usou dados do Health and Retirement Study, uma pesquisa longitudinal nacional, e incluiu 4.765 participantes com 60 anos ou mais que foram diagnosticados com CCL. Os participantes foram acompanhados por até oito anos para avaliar seu estado cognitivo. A pesquisa utilizou um modelo estatístico para analisar os dados e controlar possíveis fatores de confusão, como idade, sexo, educação e estado de saúde.

    Os resultados do estudo sugerem que as crenças positivas sobre a idade podem ter um efeito protetor na saúde cognitiva de indivíduos mais velhos. A pesquisa contribui para o crescente corpo de pesquisas sobre o papel dos fatores psicossociais no envelhecimento cognitivo e destaca a necessidade de intervenções que promovam crenças positivas sobre a idade em idosos.

    O estudo tem algumas limitações, incluindo o uso de medidas autorreferidas de crenças etárias e a falta de informações sobre o conteúdo específico das crenças etárias defendidas pelos participantes. Pesquisas futuras poderiam abordar essas limitações usando medidas mais objetivas das crenças sobre a idade e examinando o conteúdo específico das crenças sobre a idade que estão associadas aos resultados cognitivos.

    No geral, o estudo fornece informações importantes sobre o papel das crenças positivas sobre a idade no envelhecimento cognitivo e destaca os benefícios potenciais da promoção de crenças positivas sobre a idade em idosos.

    Link para o artigo:

    https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2803740

  • Cinco hábitos que as pessoas podem adotar para diminuir o risco da doença de Alzheimer

    A doença de Alzheimer é uma das doenças neurodegenerativas mais comuns em todo o mundo. Afeta principalmente pessoas mais velhas e pode causar perda progressiva de memória e uma variedade de outros sintomas cognitivos e comportamentais. Embora ainda não haja cura para a doença de Alzheimer, existem algumas coisas que as pessoas podem fazer para reduzir o risco de desenvolver a doença. Neste post, discutiremos cinco hábitos que podem ajudar a reduzir o risco de Alzheimer.

    Atividade física regular

    O exercício regular é uma das melhores coisas que as pessoas podem fazer para manter o cérebro saudável.O exercício ajuda a aumentar o fluxo sanguíneo para o cérebro, o que pode ajudar a melhorar a função cognitiva. Além disso, o exercício regular pode ajudar a reduzir o risco de doenças cardiovasculares, como pressão alta e diabetes, que são fatores de risco conhecidos para a doença de Alzheimer.

    Alimentação saudável

    A dieta é um fator importante na saúde do cérebro. As pessoas devem tentar comer uma dieta saudável e equilibrada, rica em frutas, vegetais, grãos integrais, peixe e carnes magras. Também é importante limitar o consumo de alimentos processados ​​e açúcar.Alguns estudos sugerem que uma dieta mediterrânea pode ser particularmente benéfica para a saúde do cérebro.

    Estimulação cognitiva

    A estimulação cognitiva é importante para manter o cérebro saudável e reduzir o risco de Alzheimer. As pessoas devem tentar manter suas mentes ativas aprendendo coisas novas e desafiadoras, por ex. Por exemplo, aprender um novo idioma, tocar um instrumento musical ou jogar jogos que treinem a memória e a cognição.

    Dormir bem

    O sono adequado é essencial para uma boa saúde do cérebro. A falta de sono pode levar a problemas de memória e cognição e aumentar o risco de doenças cardiovasculares e outras condições que são fatores de risco para a doença de Alzheimer.As pessoas devem tentar dormir pelo menos sete a oito horas por noite e manter uma rotina de sono consistente.

    Socialização

    A socialização é uma parte importante da saúde geral do cérebro. Pessoas socialmente comprometidas têm um risco menor de desenvolver a doença de Alzheimer. As pessoas devem tentar manter suas conexões sociais, seja por meio de atividades com amigos e familiares ou por meio de atividades em grupo, como voluntariado ou participação em grupos comunitários.

    Em resumo, há várias coisas que as pessoas podem fazer para reduzir o risco de Alzheimer.Exercício regular, dieta saudável, estimulação cognitiva, sono adequado e socialização são hábitos importantes para manter a saúde do cérebro e reduzir o risco de doença de Alzheimer. Ao adotar esses hábitos, as pessoas podem ajudar a manter suas mentes saudáveis ​​e prevenir ou retardar o desenvolvimento da doença de Alzheimer.

  • Não existe p = 0,000

    probabilidadeMost uses of the classical tools of statistics have been, are, and will be, made by those who know not what they do (Tukey, 1965)

     A maioria das ferramentas clássicas da estatística foram, são e serão utilizadas por aqueles que não sabem o que fazem (Tukey, 1965)

     

    Recentemente, li vários artigos sugerindo diferenças significativas em relação aos resultados das pesquisas realizadas. Por exemplo, entre um grupo com problemas de memória e outro sem problemas de memória (também chamado de grupo controle). Em particular, estes artigos foram publicados em revistas da área da psicologia e da medicina. O resultado destas análises estatísticas são apresentadas no corpo do texto ou em tabelas com a expressão p = 0,000. O que significa isso?

    Em primeiro lugar, p = 0,000 significa exatamente isto: probabilidade zero. Existe probabilidade zero? Sim, são os chamados eventos impossíveis. Por exemplo, se eu jogar uma moeda para o alto, qual a probabilidade de ela não cair no chão? Zero ou p = 0,000. Porém, os eventos que estudados (pesquisamos) são de outra natureza, são chamados estocásticos ou probabilísticos porque sempre há um grau de incerteza em relação aos resultados. Por exemplo, qual a probabilidade de lançando uma moeda cair cara? Existem somente duas possibilidades: cara ou coroa. Eu não sei o resultado que ocorrerá. Então, posso calcular duas possibilidades ½  ou 0,5. Ou seja, a probabilidade de ocorrer cara num lançamento de uma moeda é p = 0,5.

    Em segundo lugar, o problema com p = 0,000 é que o autor está afirmando que a probabilidade de que sua análise esteja errada é zero. Para realizar um Teste de Hipótese (paramétricos e não-paramétrico) utilizamos um nível de significância estatística preestabelecido (geralmente 0,01 ou  0,05). Este nível de significância é chamado de alfa. O alfa é o grau de confiança que eu tenho ao rejeitar a hipótese nula quando está é verdadeira. Essa decisão é chamada de Erro Tipo I, ela é o erro de rejeitar Ho sendo ela verdadeira. O Erro Tipo I é determinado pelo nível se significância estatística para o Teste de Hipótese que estou realizando. Em palavras simples, qual é a probabilidade que eu esteja errado. Ao escrever p = 0,000 estou afirmando que a minha probabilidade de estar errado é zero. É possível isso? Não para eventos que estudamos (de natureza estocástica).

    Em terceiro lugar, por que estes erros de interpretação ocorrem? Muitas vezes, as análises estatísticas são realizadas com a ajuda de softwares, como o SPSS. No output das análises estatísticas no SPSS aparecem a expressão p = 0,000. O programa estatístico gera um layout p = 0,000 por questão de economia. As normas da American Psychological Association (APA) recomendam que devemos utilizar a expressão p=0,0001 no lugar de p=0,000.

     

  • Palestra sobre Doença de Alzheimer

     

    palestra

    Ontem tive uma tarde muito especial. Fui convidado para ministrar uma palestra sobre a Doença de Alzheimer na Universidade da Terceira Idade, atividade desenvolvida pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Foi uma tarde agradável, com muitos questionamentos e relatos de casos. A foto acima foi tirada durante o intervalo com alguns participantes. Na quinta-feira terá outra palestra.

    Turma UAM  aula Alzhaier foto 3

  • É “Mal de Alzheimer” ou “Doença de Alzheimer”?

    alzEu prefiro Doença de Alzheimer. Por que? Por uma razão muito simples. A palavra “mal” para se referir está carregada de valores morais e sentimentos negativos. Segundo o dicionário Michaelis, o substantivo masculino “mal”, vem da palavra latina “malu”, podendo significar: 1) Tudo o que se opõe ao bem, tudo o que prejudica, fere ou incomoda, tudo o que se desvia do que é honesto e moral. 2) Calamidade, infortúnio, desgraça. 3) Dano ou prejuízo, na pessoa ou fazenda. 4) Qualquer estado mórbido impressionante, como a lepra, a raiva, a tuberculose etc. 5) Qualquer doença epidêmica ou reinante. 6) Achaque, doença, enfermidade. 7) Castigo, punição, expiação. 8) Tormento, mágoa, sofrimento. 9) Palavras contra alguém ou contra alguma coisa. 10) Inconveniente.

    Por outro lado, doença, segundo o mesmo dicionário, é um substantivo feminino, também de origem latina (“dolentia”) que pode significar:  1) Falta de saúde, achaque, enfermidade, indisposição, moléstia. 2) Processo mórbido definido, com sintomas característicos, que pode afetar o corpo todo ou uma ou várias de suas partes.3) Mal. 4) Defeito, vício. 5) Mania. 6) Alterações patológicas das plantas. 7) Tarefa laboriosa ou difícil.

    Claro que quando se trata de enfermidades, elas podem ser consideradas como sinônimos. Porém, acredito que a palavra “doença” está mais isenta de valores morais e sentimentos negativos. Por isso, prefiro definir Doença de Alzheimer como “uma doença que acomete o cérebro, de maneira progressiva e irreversível, levando da perda da memória e das habilidades do pensamento, que comprometem a realização de tarefas no dia-a-dia”.

  • Quem cuida do cuidador?

    4.1.1O cuidador é aquele familiar ou profissional que tem a responsabilidade de gerenciar os cuidados necessários à manutenção da vida de pessoas afetadas por doenças crônicas e incapacitantes. No caso das doenças neurodegenerativas (como nos quadros demenciais), esta responsabilidade assume um caráter especial. O capítulo Cuidadores de idosos com demência: aspectos da relação de cuidados, no livro Neuropsicologia Clínica Aplicada, analisa os problemas relativos ao cuidar. A seguir, um trecho do capítulo:

     À medida que o quadro da Demência progride, surge a demanda por cuidados especiais, importante função desempenhada pelos cuidadores. Estima-se que em 80% dos casos, os cuidadores de idosos dependentes são escolhidos dentro do círculo familiar (Haley, 1997). É evidente que o ideal seria toda a família participar dos cuidados com o idoso, porém é quase inevitável que um dos familiares assuma a maior parte das tarefas, seja pelo vínculo emocional com o doente, disponibilidade ou proximidade geográfica. A grande maioria dos cuidadores primários são mulheres (Burns, Nichols, Adams, Graney, & Lummus, 2003; Dunkin & Anderson-Hanley, 1998; Haley, 1997; Hinrichsen & Niederehe, 1994 Karsch, 2003; Mohide, 1993) especialmente esposas e filhas dos pacientes (Haley, 1997; Karsch, 2003; Mohide, 1993).

     Este familiar, o cuidador primário, assume a tarefa de maneira inesperada e quase sempre sem o conhecimento sobre a patologia e o suporte emocional adequado. O papel deste cuidador é muito importante na vida do doente, é o pilar de apoio do idoso com Demência. O cuidador passa a estar atento diariamente a todas as necessidades do seu familiar, desde os cuidados com questões financeiras, até com a higiene e alimentação do parente. Além de ter que lidar com as dificuldades em gerenciar mudanças psicológicas e comportamentais sofridas pelo idoso ao longo da doença.

    Em consequência deste novo papel assumido, surgem grandes mudanças na vida de quem cuida, tais como mudanças nas esferas psicológica, familiar, social, física e profissional (Cruz & Hamdan, 2008).  O cuidador principal tem que lidar, muitas vezes, com a inversão de papéis: o filho passa a cuidar do pai, a esposa ou esposo que tinha uma relação de companheirismo não pode mais contar com o cônjuge para as decisões, ao contrário, passa a ser o único responsável por tomar frente na resolução dos problemas de família. A perda da imagem de antes daquele ente querido gera muitos sentimentos na família, desde a raiva, a culpa por exigir do doente aquilo que Le não pode mais oferecer, até a tristeza por aceitar que aquela pessoa de antes não voltará. A família passa por várias fases até aceitar a doença do familiar, ressaltando que nem todos os familiares envolvidos chegam ao processo de aceitação, além de cada um vivenciar este processo em tempos diferentes.

    A vida familiar deste cuidador costuma ser excessivamente afetada, já que ele não tem as mesmas condições de se dedicar a vida familiar com os filhos, cônjuge e netos, por exemplo, além de não priorizar suas necessidades pessoais e profissionais. Devido à grande demanda por cuidados do idoso, o cuidador passa a ter tempo escasso para lazer e convívio social, resultando em isolamento e solidão (Cerqueira & Oliveira, 2002; Grafström, Fratiglioni, Sandman, & Winblad, 1992). Com frequência, o cuidador deixa suas necessidades pessoais em segundo plano e dá prioridade às necessidades do seu familiar dependente. Deixando de ter suas necessidades pessoais atendidas, é frequente o cuidador apresentar pior saúde física (Clyburn, Stones, Hadijistavropoulos & Tuokko, 2000; Dunkin & Anderson-Hanley, 1998) e psicológica (Engelhardt, Dourado & Laks, 2005; Grafström et al., 1992) apresentando altos índices de depressão, com duas a três vezes mais chances de desenvolver esta doença do que os não cuidadores (Clyburn et al., 2000; Grafström et al., 1992; Haley, 1997).

                Com o objetivo de descrever os aspectos negativos relacionados ao ato de cuidar de um familiar dependente, o termo “sobrecarga” é frequentemente utilizado (Burns et al., 2003; Dunkin & Anderson-Hanley, 1998; Mohide, 1993). Avaliar a sobrecarga do cuidador é muito importante, tendo em vista que cuidadores com maiores graus de sobrecarga e depressão têm mais chances de institucionalizar seus familiares portadores de demência, e podem gerar, ao longo da doença, mais distúrbios de comportamento no idoso, com isso uma pior qualidade de vida para o cuidador e para seu familiar (Dunkin & Anderson-Hanley, 1998), Sink, Covinsky, Barnes, Newcomer & Yaffe, 2006).

    Fatores moderadores da sobrecarga do cuidador também vêm sendo investigados nos estudos sobre cuidadores. O coping e o suporte social são considerados os principais moderadores de estresse do cuidador. Além da importância das intervenções psicoeducacionais com os familiares de idosos com Demência, já que elas oferecem ao cuidador informações e suporte emocional para lidar com a situação. 

     

  • Falácias matemáticas

     

    numerosEstou lendo o livro “Os números (não) mentem: como a matemática pode ser usada para enganar você”, escrito pelo jornalista Charles Seife e publicado pela Editora Zahar (2012). A leitura deste livro ganha relevância quando lembramos da polêmica causada pela recente pesquisa divulgada pelo IPEA. Em ano eleitoral também é importante prestar atenção para as manipulações das pesquisas eleitorais. As pesquisas acadêmicas também não fogem à regra. Segue, abaixo, um trecho da introdução, em que o autor explica e define o que são as falácias matemáticas.

     

    Em mãos ágeis, dados adulterados, estatísticas fajutas e matemática ruim podem dar aparência de verdade à ideia mais fantasiosa, à falsidade mais acintosa. Podem ser usados para oprimir os inimigos, destruir os críticos e pôr fim à discussão. Algumas pessoas, aliás, desenvolveram uma habilidade extraordinária no uso de números forjados para provar falsidades. Tornaram-se mestres da falácia matemática: a arte de empregar argumentos matemáticos enganosos para provar algo que nosso coração diz ser a verdade – ainda que não seja.

    Nossa sociedade hoje está submersa em falácias numéricas. Usando um punhado de técnicas poderosas, milhares de pessoas forjam números sem fundamentos e nos fazem engolir inverdades. Anunciantes adulteram números para nos convencer a comprar seus produtos, políticos manipulam dados para se reeleger. Gurus e profetas usam cálculos fraudulentos para nos fazer acreditar em previsões que parecem nunca se realizar. Negociantes usam argumentos matemáticos enganosos para tomar o nosso dinheiro. Pesquisas de opinião fingem ouvir o que temos a dizer e usam falácias matemáticas para nos dizer em que acreditar.

    Às vezes, essa gente recorre à essas técnicas para tentar nos convencer de bobagens e absurdos. Algumas pessoas, inclusive cientistas, já lançaram mão de números falsos para mostrar que, um dia, os velocistas olímpicos vão romper a barreira do som e que existe uma fórmula exata para determinar quem tem a bunda perfeita. Não há limites para o grau de absurdo das falácias matemáticas.

    Quando conhecemos os métodos empregados na transformação de números em falácias, ficamos imunizados contra elas. Quando aprendemos a remover as adulterações matemáticas do caminho, alguns temas mais controvertidos passam a ser simples e diretos.

    Entendam as falácias matemáticas, e você será capaz de revelar muitas verdades encobertas por um nevoeiro de mentiras.

     

  • A memória operacional pode ser treinada em idosos?

    Group of older mature people lifting weights in the gym

    Luiza Cury Muller

    Muitas habilidades cognitivas, incluindo a memória operacional (MO) e as habilidades de raciocínio declinam com o passar dos anos. Tendo em vista essa ideia, Von Bastian et al. (2013) desenvolveram um estudo para avaliar se o intenso treinamento da MO poderia melhorar esta função cognitiva e também as habilidades de raciocínio em indivíduos jovens e idosos. O estudo foi desenvolvido com dois grupos: a) 31 jovens (9-36 anos) e b) 27 idosos (62-77 anos). Ambos realizaram tarefas que representaram as três categorias funcionais no modelo da capacidade da MO: a) armazenamento e processamento, b) integração relacional e c) supervisão. O estudo foi conduzido de maneira que participantes e experimentadores não eram cientes de quais grupos pertenciam (duplo-cego).

    Nesse experimento, todos participantes completaram 20 sessões de treinamento cognitivo ao longo de quatro semanas, sendo que cada sessão tinha como tempo de duração o intervalo correspondente a 25-30 minutos. Cada grupo treinou três tarefas diferentes, de aproximadamente 10 minutos cada, e a ordem das sessões para cada grupo foi escolhida de modo aleatório. As tarefas foram: Numerical Complex Span (armazenamento e processamento), Tower of Fame (integração relacional) e Figural Task Switching (supervisão). O treinamento era auto administrado pelos próprios participantes e realizado em suas próprias residências, por meio de computadores com “software open-source Tatool” (Von Bastian et al., 2013). Todos os participantes começaram a primeira sessão com os mesmos níveis de dificuldade. Ao longo das sessões, a dificuldade da tarefa foi adaptada passo a passo, de acordo com as performances individuais de cada participante. O efeito do treinamento da MO foi medido comparando a diferença de desempenho antes (pré-teste) e depois (pós-teste) do treino.

    Em síntese, os resultados do estudo mostraram que os dois grupos (jovens e idosos) apresentaram aumento no desempenho da MO (nas tarefas treinadas) e em tarefas estruturalmente similares (não-treinadas). Entretanto, a pesquisa evidenciou não haver transferências do treinamento para as tarefas que envolvem a habilidade de raciocínio, em ambos os grupos. Em contraste com um estudo anterior, no qual cada faceta da memória de trabalho foi treinada separadamente, o presente estudo constatou que o treinamento múltiplo funcional de categorias simultaneamente induz menos transferência. Os resultados fornecem evidências de que o desempenho da MO pode ser melhorado ao longo da vida.

     

     Referencias

     Bastian, C. C., Langer, N., Jäncke, L., & Oberauer, K. (2013). Effects of working memory training in young and old adults. Memory & Cognition, 41, 611-624.

  • Olha o alemão ….

    AlzheimerAlois

     Quando Fabiana esqueceu o nome da cidade onde nasceu, Berenice, sua amiga de infância, aproveitou a ocasião para gracejar:

    – Olha o alemão……!

    Ela estava se referindo ao psiquiatra alemão Alois Alzheimer, quem, pela primeira vez, descreveu a Doença de Alzheimer, em 1906.

     

     

    Nos últimos 15 anos venho pesquisando, ministrando aulas e palestras sobre a Doença de Alzheimer (DA). Meu interesse particular é sobre a avaliação neuropsicológica da memória e das funções executivas. Em 2003, este assunto foi o tema da minha tese de doutorado, sob orientação do Prof. Dr. Orlando Bueno, na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). O motivo por que comecei a estudar este assunto foram algumas circunstâncias de vida familiar e a curiosidade acadêmica. Um fato marcante, na minha vida pessoal, foi o adoecimento do meu avô materno, no final dos anos de 1990. Eu não compreendia o que estava acontecendo. Aquele senhor outrora forte e comunicativo, agora estava deitado numa cama, sem força e sem poder falar; totalmente dependente de outros para a sua sobrevivência. Pior, olhando para ele, parecia que não se lembrava de ninguém, não reconhecia os nomes e os próprios familiares. Alguns diziam: “é esclerose”. Outros: “ ficou caduco”. E ainda outros: “virou criança novamente”.

    A curiosidade acadêmica fez com que eu procurasse compreender melhor o que estava acontecendo com meu avô e com os outras pessoas idosas. Sabemos que no processo de envelhecimento ocorre um declínio de muitas funções cognitivas (memória, atenção, velocidade de processamento e funções executivas) é um processo neurocognitivo normal. Ocorre que, em alguns casos, este declínio é mais acentuado do que o esperado para uma determinada faixa etária. Quando e como o declínio cognitivo pode ser considerado uma doença, como a DA, ainda é motivo de questionamentos que demandam muitas pesquisas. Por isso, estudar o processo cognitivo em idosos é importante, pois pode auxiliar na prevenção e no tratamento da doença.

    O que nós sabemos sobre a DA? A DA é uma doença caracterizada por uma progressiva degeneração do cérebro. Esta degeneração neurológica ocasiona a perda da memória, dificuldades de raciocínio, alterações do pensamento, personalidade e do comportamento. Estas alterações são significativas, a ponto de interferir e comprometer as atividades da vida diária, como cuidados financeiros, compromissos sociais e, nos casos avançados, até da higiene pessoal. É a principal causa de demência no mundo, atingindo 1% da população de idosos entre 65 e 70 anos. Com o passar dos anos, a prevalência da DA aumenta, passando de 6%, em idosos acima de 70 anos, e 30%, nos idosos com mais de 80 anos. A idade é o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença. Nos EUA, os custos financeiros diretos e indiretos, no tratamento da doença, são estimados em torno de 100 bilhões de dólares. No Brasil, não existem estimativas oficiais, mas pelo crescente número de novos casos e o elevado custo do tratamento, podemos imaginar que as despesas também são muito elevadas. Na medida em que, a população está envelhecendo, no Brasil e no mundo, isto é, a expectativa de vida está aumentando, os custos elevados no tratamento da doença tendem a comprometer os orçamentos governamentais, em particular, os recursos financeiros nas áreas da saúde e previdência social.

  • Treinamento computadorizado pode melhorar o desempenho cognitivo em idosos?

    computer  É lugar comum dizer que o idoso tem muita dificuldade  com as novas tecnologias, em especial, com o uso de  computadores. As dificuldades incluem a falta de  conhecimento necessário para realizar uma tarefa e a  ansiedade frente ao computador. Contudo, o segmento  da sociedade que mais cresce na utilização da internet (e  das redes de relacionamento social) é formada de  pessoas idosas. Há um conjunto de evidências de que no  envelhecimento humano ocorre um declínio das funções cognitivas (ver post anterior). Esta questão mostra a necessidade de conhecer se os idosos podem se beneficiar do treinamento cognitivo para melhorar as suas habilidades cognitivas.

    Um estudo de revisão sistemática, conduzida por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins (EUA), analisou os diferentes tipos de treinamento cognitivo realizados em idosos e seus possíveis benefícios. Consultando diversas bases de dados (PsycArticles, PsychInfo, Pubmed, SCOPUS), os autores analisaram os artigos publicados num período de 25 anos (1984 a 2011), e selecionaram 138 artigos, dos quais analisaram 38 artigos que preencheram os critérios de inclusão (entre eles, participantes acima de 55 anos, sem diagnóstico de Doença de Alzheimer ou Comprometimento Cognitivo Leve). Os artigos foram agrupados em três tipos modalidades de treinamento cognitivo: Teste Cognitivo Clássico (n=21), Software Neuropsicológico (n=9) e Videogame (n=8).

    Os autores encontram evidências de que os três diferentes tipos de abordagem para treinamento cognitivo oferecem benefícios para idosos saudáveis que vivem na comunidade. O tamanho do efeito (effect size) variou de 0,06 a 6,32, para treinamento cognitivo clássico; 0,19 a 7,14, para treinamento com software neuropsicológico e 0,09 a 1,70, para treinamento com videogame. Estes resultados são mais eficientes quando comparado com treinamento não computadorizado (por exemplo, treinamento com lápis e papel). Nas tarefas cognitivas tradicionais, o treinamento cognitivo melhorou o desempenho no tempo de reação, na velocidade de processamento, na memória operacional, funções executivas, memória, habilidade viso espacial e atenção. Os treinamentos que utilizam software neuropsicológico foram menos efetivos para treinamento da atenção e funções executivas. Porém, a pesquisa evidenciou maior efetividade no treinamento da memória e habilidade viso espacial. Por fim, os treinamentos que utilizaram videogame são mais efetivos no treinamento do tempo de reação, da velocidade de processamento e das funções executivas.

    A conclusão deste estudo, para os autores, justificam a utilização do treinamento computadorizado em idosos. Os seus benefícios incluem a possibilidade de treinamento individualizado e de acordo com as necessidades pessoais de cada um. Este benefício, não requer familiaridade ou experiência prévia com computadores.

     

    Referências

    Kueider, A. M., Parisi, J. M., Gross, A. L., & Rebok, G. W. (2012). Computerized cognitive training with older adults: a systematic review. PloS One, 7(7), e40588. doi:10.1371/journal.pone.0040588

  • Quando de fato começamos a envelhecer?

     

    aging  É uma pergunta que desperta o interesse  geral e tem intrigado pesquisadores pelo  mundo. Em nossa sociedade, ao completar  60 anos somos considerados velhos.  Porém, para os cientistas  comportamentais, o vigor físico e cognitivo  declina a partir dos 40 anos. Salthouse,  um dos maiores especialistas em  envelhecimento cognitivo, considera que o declínio da nossa capacidade cognitiva ocorre, em algum momento, entre os 20 e 30 anos.

    Um estudo recente de pesquisadores canadenses encontrou evidência de que o envelhecimento cognitivo começa aos 24 anos. Analisando resultados obtidos por meio da telemetria do desempenho de mais de três mil jogadores de videogame, com idade entre 16 e 44 anos, agrupados em graus variados de expertise, os pesquisadores concluíram que o início do declínio da habilidade motora e perceptiva começa a partir dos 24 anos. Este resultado corrobora um conjunto de evidências na literatura científica que sugerem que o processo de envelhecimento cognitivo caracteriza-se pelo declínio das capacidades mentais, em especial da memória, da atenção e das funções executivas.

    Alguns modelos teóricos tem sido propostos para explicar este fato. Um destes modelos, considera que o declínio cognitivo no envelhecimento ocorre como consequência do processo de lentificação no processamento da informação. De fato, em todas as tarefas que demandam velocidade para a execução de uma tarefa (por exemplo, o subteste procurar símbolos da bateria WAIS-III), os idosos apresentam um desempenho inferior quando comparado com jovens. Outra modelo teórico é a do declínio do funcionamento do sistema frontal. O córtex frontal é responsável pela organização de comportamentos complexos. Ela coordena a capacidade de planejamento, a definição de estratégias, a tomada de decisão e a execução de ações, com vista a alcançar um determinado objetivo. No envelhecimento, ocorre um declínio inicial no sistema frontal que afeta todas as funções cognitivas. Quando comparamos o desempenho de idosos em relação aos jovens no Wisconsin Card Sort Test (que avalia a capacidade de planejamento e a flexibilidade cognitiva), por exemplo, observamos diferenças significativas entre os grupos a favor dos mais jovens.

    Em síntese, independentemente da idade que o processo de envelhecimento cognitivo se inicia, o fato é que ela ocorre e procuramos explica-la recorrente à alguns modelos teóricos. De qualquer modo, o declínio da capacidade cognitiva no envelhecimento não é sinônimo de incapacidade, ao contrário, são enormes as evidências científica que sugerem mecanismos compensatórios empregados pelos idosos nas diversas tarefas cognitivas. É importante relembrar que a capacidade humana de aprender que não se esgota no envelhecimento.

    Referências:

    Thompson JJ, Blair MR, Henrey AJ (2014) Over the Hill at 24: Persistent Age-Related Cognitive-Motor Decline in Reaction Times in an Ecologically Valid Video Game Task Begins in Early Adulthood. PLoS ONE 9(4): e94215. doi:10.1371/journal.pone.0094215

     

  • Dependência de internet afeta o funcionamento neuropsicológico?

    addict_varvelA dependência de internet (DI) é um tema que tem atraído a atenção de muitos pesquisadores. A DI é caracterizada pelo uso excessivo da internet, comprometendo a atividade laboral, acadêmica e social. Um estudo realizado por pesquisadores coreanos (2014) teve como objetivo investigar a associação entre DI, impulsividade, personalidade e o funcionamento neuropsicológico. Vinte e três adultos jovens (média de 23,22 anos) com DI foram comparados com adultos jovens saudáveis (média de 22,42 anos) sem DI. Os grupos não diferiram quanto a idade, sexo, escolaridade e QI.

    Para classificar os participantes com DI foram aplicados o Teste de Dependência de Internet (TDI). O teste é uma escala likert de cinco pontos, com itens que avaliam vários comportamentos em relação ao uso e atitudes na internet. A pontuação varia de 20 a 100 pontos. Neste estudo foram considerados com DI, os participantes que pontuaram acima de 70 pontos e que acessavam mais de 4 horas a internet. Também foram aplicadas outras escalas para avaliar sintomas depressivos e ansiedade. Os resultados evidenciaram diferenças significativas entre os grupos, com presença de sintomas de depressão e ansiedade no grupo DI. Para mensurar a impulsividade utilizou-se a escala BIS-11 e TCI para avaliar a personalidade. Na avaliação neuropsicológica foram utilizados alguns instrumentos tradicionais (Digit Span, Teste de Trilhas, Teste de Stroop e Fluência Verbal) e uma bateria informatizada para mensurar a flexibilidade cognitiva, a memória operacional e o controle inibitório (Cambridge Neuropsychological Test Automated Battery – CANTAB).

    Os resultados evidenciaram diferenças significativas entre os grupos em relação a impulsividade e as características de personalidade, mas não em relação ao desempenho nos instrumentos de avaliação neuropsicológica. Foram observadas correlações significativas entre a impulsividade, características de personalidade e medidas de controle inibitório. Segundo os autores estes resultados aparentemente contraditórios (ausência de comprometimento neuropsicológico) pode ser explicado pelo fato de que a amostra no estudo foi composta por participantes com QI elevado (maior que 120), o que provavelmente assegura uma maior reserva cognitiva, e também, pela evidência de que os usuários que frequentam assiduamente a internet desenvolvem habilidades (estratégias) cognitivas compensatórias. Os resultados deste estudo são interessantes por evidenciar que a impulsividade na DI pode estar relacionada com características de personalidade e o funcionamento neuropsicológico, particularmente, o controle inibitório.

     

    Referências

    Choi, J.-S., Park, S. M., Roh, M.-S., Lee, J.-Y., Park, C.-B., Hwang, J. Y., … Jung, H. Y. (2014). Dysfunctional inhibitory control and impulsivity in Internet addiction. Psychiatry Research, 215(2), 424–8. doi:10.1016/j.psychres.2013.12.001

     

     

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